Representando o segundo maior custo das frotas, atrás apenas do combustível, os pneus impactam diretamente no valor do frete cobrado pelas transportadoras. Isso significa que se o produto que você compra chega até sua casa com um valor X, certamente esse mesmo valor não poderia ser mantido se as transportadoras não tivessem a opção de recorrer à reforma de pneus, prática que representa uma economia de até 75% no gasto dessas empresas com pneus, segundo estudo feito pela Vipal, fabricante brasileira de borrachas. “Essas transportadoras precisam reduzir custos para suprir o desafio de oferecer um valor de frete competitivo, e encontraram na reforma de pneus uma alternativa viável economicamente e, ao mesmo tempo, segura. Não à toa, uma parcela elevada da frota nacional circula sobre pneus reformados. Não se tem números exatos, mas é possível estimar que se aproxime dos 100%”, comenta o especialista em pneus Pércio Schneider. De acordo com a Associação Brasileira dos Reformadores de Pneus (ABR), dois terços dos pneus de caminhões ou ônibus que circulam pelo país são reformados. Isso significa que a reforma de pneus repõe, no mercado, mais de 8 milhões de pneus da linha caminhão/ônibus por ano, enquanto a indústria de pneus novos repõe 2 milhões a menos para o mesmo setor.
Superintendente de manutenção da empresa Expresso Nepomuceno e um dos responsáveis pela gestão dos pneus dos mais de três mil caminhões da frota, Rodolfo Faleiro garante que as transportadoras que ainda não enxergam a reforma como alternativa para redução de custos estão em desvantagem no mercado. “Os pneus reformados diminuem consideravelmente o custo por quilômetro rodado. Graças às tecnologias empregadas no processo de reforma e à fiscalização por parte do Inmetro, os reformados hoje são tão seguros quanto os novos, além de apresentarem rendimento igual ou até superior aos novos. Mas os benefícios só serão percebidos se a empresa tiver uma gestão eficiente dos pneus”, esclarece.
Para Faleiro, economizar com os pneus não significa utilizá-los quando já não estão aptos a circular, ao contrário, manter os pneus “saudáveis” e em boas condições é fundamental para evitar dores de cabeça e prejuízos maiores. “O pneu requer uma atenção muito especial para que possamos prolongar, ao máximo, sua vida útil, mas obviamente sem comprometer a segurança. Calibragem, rodizio e inspeções completas mensais são os principais cuidados adotados na nossa empresa para que os pneus durem mais tempo. Mas se não nos preocuparmos com a segurança, considerando apenas a economia, a dor de cabeça no futuro será bem maior, uma vez que pneus impróprios para circulação são responsáveis por tombamento e vários outros acidentes”.
Defasagem do frete
Dados da NTC & Logística apontam que a defasagem no frete, no ano de 2017, chegou a 21%. De acordo com pesquisa de mercado realizada em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), envolvendo 2.290 empresas de transporte de carga, 70,5% delas tiveram queda no faturamento e 91% diminuíram de tamanho. “Esses números são consequência da crise, que diminuiu em grande escala o volume de carga transportada. Com isso, as empresas tiveram que se adequar e reduzir de tamanho”, explica Lauro Valdívia, assessor técnico da ANTT. Com a crise, toda a cadeia produtiva foi afetada e o pagamento do frete ficou fortemente prejudicado.
Aumentando a vida útil
Diante do prejuízo, restam às transportadoras cortar os custos para equilibrar o caixa. Uma forma de fazer isso é aproveitando ao máximo a vida útil dos pneus, evitando que sejam descartados precocemente. E quando é necessária a troca do jogo de pneus do caminhão, o cálculo do custo pode assustar, tendo em vista que uma unidade custa, em média R$ 1,5 mil, dependendo do modelo e da aplicação. Especialista no assunto, o gerente nacional de frotas da Vipal Borrachas, André Nedeff, aponta os principais pontos para se obter uma melhor eficiência do pneu nos custos da frota. O primeiro item, na opinião do especialista, é entender que o pneu deve ser analisado como parte do patrimônio da empresa, bem como o entendimento de que a melhor forma de obter um retorno positivo sobre o investimento é utilizá-lo de forma a extrair o maior rendimento e o desempenho máximo de cada pneu. “Que o pneu é fundamental nas operações de transporte, todos sabem. O que nem todo mundo enxerga, entretanto, é que este ativo de uma transportadora não deve ser visto como um custo, mas, sim, como um aliado na geração de economia para a frota” diz.
O gerente de tecnologia e qualidade da Vipal Borrachas, Henrique Brito, ensina quais procedimentos devem ser feitos para que se passe a ganhar dinheiro com pneus, e não perder, enfatizando as vantagens da reforma de pneus. Conforme o especialista, existem basicamente duas formas de gastar menos com pneus em uma frota: aumentar a vida útil do produto e utilizá-lo para diminuir o consumo de combustível. É necessário, em primeiro lugar, utilizar pneus de boa qualidade, com carcaça e desenho adequados à sua aplicação, com bom rendimento quilométrico e, principalmente, com condições de serem reformados duas ou mais vezes. “Um pneu reformado uma vez pode ter o CPK [custo por quilômetro rodado] reduzido em 34%”, explica Brito. “Se reformado duas vezes, pode-se reduzir em 45%, e se for três vezes, 51%”, finaliza.
Matéria originalmente publicada na revista Pneus & Cia.