À medida que a crise afeta o orçamento das famílias, consumidores tem considerado o preço do produto como fator decisivo no momento da compra. No segmento de pneumáticos não é diferente. Cada vez mais motoristas tem recorrido aos pneus vendidos em supermercados e grandes redes varejistas, que além de serem mais baratos, podem ser divididos, em alguns casos, de até 12 vezes. As facilidades tem saltado aos olhos dos consumidores, mas é preciso cuidado na hora de trocar os pneus porque aquele velho ditado, que diz que o barato pode sair caro, faz ainda mais sentido nesse caso.
Comprar um pneu requer uma avaliação técnica. No momento da compra, vários fatores devem ser considerados. Segundo o vendedor de pneus Emerson José, é importante que o consumidor tenha em mente questões importantes. Eu realmente preciso trocar os quatro pneus agora? Qual o modelo ideal para o meu veículo? Esses pneus vão suportar o peso que o veículo costuma transportar? Qual a velocidade máxima que posso atingir seguramente com esses pneus? Na opinião do vendedor, comercializar um pneu vai muito além de entregar o produto e receber o dinheiro. “Somos treinados para fazer uma série de questionamentos ao cliente no momento da venda. Precisamos entender quais são as necessidades daquele motorista. Quanto peso irá carregar, em que tipo de estrada irá trafegar, entre tantas outras coisas. Para cada carro e para cada necessidade existe um pneu adequado. E é isso que precisamos identificar, evitando que o pneu sofra um desgaste precoce e precise ser substituído antes da hora”, explica. Para o presidente do Sindipneus, Paulo Bitarães, “pneus mal aplicados em veículos podem gerar riscos de acidentes e custos mais elevados para as frotas, tanto no caso dos pneus novos, quanto dos reformados”.
Além de não poder contar com um vendedor especializado no comércio de pneus, o cliente, ao trocar os pneus em supermercados, provavelmente precisará arcar ainda com a montagem dos pneus, enquanto nas revendas o serviço é oferecido gratuitamente, bem como o alinhamento e o balanceamento, que também são ofertados no ato da compra. De acordo com o engenheiro mecânico Vanderlei Carvalho, a inexistência de um vendedor treinado é a principal desvantagem ao se adquirir pneus fora das revendas autorizadas. “Um grande risco é montar o pneu de forma inadequada, sem o uso da pasta para lubrificação dos talões, que seriam para o assentamento do talão na roda. O pneu montado em qualquer lugar corre o risco de não ser balanceado, o que afeta sua performance. Outro perigo é montar os pneus com pressão inadequada”, alerta. O engenheiro explica, ainda, que há nos pneus importados, por exemplo, uma sigla que identifica se aquele pneu foi feito para rodar em estradas frias ou quentes. Na neve ou na estrada. A sigla M + S, por exemplo, significa que o pneu pode rodar tanto na neve quanto na lama. “Este é o tipo ideal para nosso clima e, caso o consumidor não tenha conhecimento deste indicador, ele pode cair em uma cilada”, explica Vanderlei.
O que nem todo mundo sabe é que os pneus tem interferência direta no consumo de combustível do carro. Ou seja, ao adquirir um pneu mais barato, mas que não é o mais adequado para aquele veículo, o valor economizado na compra será acrescido no consumo de combustível, que certamente aumentará. Trafegar com um pneu bastante desgastado, calibrado de forma errada ou fora das especificações, além de ser infração de trânsito em alguns casos, compromete o acerto dinâmico e a estabilidade do veículo. “Se o pneu é menor que o recomendado para aquele veículo, por exemplo, ele vai precisar de mais voltas para completar o mesmo percurso e, com isso, demandará mais combustível. O hodômetro também vai marcar uma distância superior à real”, explica o especialista em pneus, Percio Schneider.
O presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Pneus (Abrapneus), Dirceu Delamuta, completa apontando um outro de trocar os pneus em supermercados. Muitas vezes o caso nem é de substituir os pneus, mas o consumidor, mal orientado, opta pela compra de pneus novos. “O pneu é um componente importantíssimo em um veiculo na segurança, conforto, dirigibilidade e consumo de combustível e cada caso precisa ser avaliado. As vezes, uma manutenção solucionaria o problema dos pneus. Em um supermercado, o pneu é só mais um item que é colocado na gondola, com etiqueta de preço e sem nenhum suporte técnico ao consumidor”, finaliza.