Eu não sei vocês, mas quase não li, ouvi e vi programas eleitorais pelos chamados canais tradicionais. Esse comportamento já havia sido notado na eleição de Obama, nos EUA, em contraponto à relevância das mídias sociais. Na do Trump não foi diferente e essa situação tem se tornado cada vez mais comum, inclusive em nosso país. O que recebi mensagens políticas de amigos, colegas de trabalho, contatos em geral nas minhas redes sociais (Facebook, Twitter, Whatsapp e Instagram) foi uma loucura. Um “mundo” de informações circulou, no dia da votação e especialmente no segundo turno, por esses novos canais. Foi algo incrível.
Foi registrada uma substancial queda nos valores gastos pelas campanhas, pois houve muitas pessoas que fizeram sua divulgação em páginas próprias e em mídias sociais dos partidos. É uma quebra de paradigma. Há quem fale que os debates na tevê (frente a frente), já não causam tanto impacto como antes e que as pessoas buscam na internet as informações de seus candidatos. Isso foi sentido na audiência tradicional dos debates. Houve transmissões pelo Facebook e Youtube, que tiveram audiências muito superiores ao do tradicional Programa Silvio Santos de domingo à tarde, em sua época mais gloriosa.
Dito isso, como tudo na vida, temos o lado bom é o ruim. As tais fake news (notícias falsas) despetaram interesse em proporção semelhante a de verdadeiras, sendo até objeto de controle pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pois o “trem” foi feito, como dizemos no bom “mineirês”. A Justiça está estudando uma maneira de monitorar e gerar ações de correção sobre essas notícias enganosas, evitando, assim, tamanha propagação. Mas, convenhamos, é muito difícil atuar nisso. Mesmo hoje com o mecanismo de restrição do Whatsapp de encaminhamento limitado, elas se espalham para milhares de pessoas.
São muitas as mídias sociais. Em particular, faço mais o uso do Twitter, e, por lá, digo a vocês, o bicho pegou. Foi uma troca de farpas, notícias, contra-notícias, praticamente uma guerra de hashtags (#), ou seja, de tópicos que você quer divulgar e se posicionar a respeito deles quando é de seu interesse, gerando mais e mais pessoas atingidas.
Pense em alguma causa que você queira falar, ou se posicionar a respeito e até mesmo denunciar. Você abre seu twitter e escreva #Exemplodehashtag (mas pode ser qualquer coisa, do tipo #Adorocachorrospequenos #Partiupraiaetcetc). Depois, vamos supor que você tenha 10 seguidores. Seis começam a retuitar isso em suas respectivas contas. Acontece que um desses seis que te acompanhou na causa divulgada tenha, por exemplo, 50 mil seguidores. Pronto, inicia-se a propagação em cadeia. O mesmo se aplica ao Facebook e demais redes.
Já o caso do Whatsapp é um pouquinho mais emblemático, pois as pessoas usam essa mídia com mais frequência em seus smartphones, devido ao grau de usabilidade e facilidade que ele proporciona, além de possibilitar atingir quase que instantaneamente as pessoas. Quem é que não corre pra abrir a notificação logo quando chega? Que confere de cinco em cinco minutos se há coisa nova nos grupos silenciados? E quando começa a chegar várias mensagens nos grupos “especiais”? É automático. Usamos em média, de quatro a seis horas por dia os smartphones para quase tudo, e o Whatsapp responde pelo maior percentual dessa utilização. É direto, bate na hora, é rápido para abrir e ler, ver ou ouvir. Nos chamados picos de uso, a infraestrutura para suportar isso é gigantesca, pois o volume e dados aumenta muito o tráfego na rede/internet. Muita tecnologia para prover os recursos necessários.
Enfim, é algo que realmente vai tirar cada dia mais, digamos, telespectadores da mídia tradicional, a boa (ou má) televisão. Cada dia, mais e mais veículos de jornalismo focam e concentram suas ações para esses novos canais. Um programa de uma grande rádio brasileira, na cobertura do primeiro turno, atingiu níveis incríveis em 20 minutos de exibição pelo seu canal no Youtube. Audiência que muitos programas televisivos nunca tiveram.
Trazendo para o campo da política, prefiro não me aprofundar, mas vocês devem ter visto e, se não viram, posso assegura que realmente foi uma guerra (e ainda está sendo). Isso tudo para dizer que qualquer um em posse de um smartphone tem hoje o poder da divulgação, seja ela qual for; e temos a nítida percepção de que ela vem aumentando em cada ciclo de eleição. São os novos patamares de marketing digital que chegaram para ficar, gostando ou não. Será aí, em seu celular, que decisões serão tomadas com frequência cada vez maior. Saber “usar” e interpretar essa avalanche de informações que nos chegam diariamente é o desafio.
Forte abraço.
Alexandre Panizza Perdigão
Gestor de relacionamentos e parcerias da TopLink