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Pneus inservíveis: uma preocupação mundial

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Por:Ana Flávia Tornelli
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out 2018

Ocupando a sétima posição no ranking dos maiores produtores de pneus do mundo, segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o Brasil produz, todos os anos, cerca de 70 milhões de pneus.

Apesar dos avanços da indústria nacional e do crescimento das empresas do setor, a enorme quantidade de pneus gerada todos os dias e as dificuldades de coleta e armazenamento desses produtos representam hoje um grave problema ambiental, que merece a atenção das autoridades: os pneus inservíveis. Os pneus descartados de forma incorreta resultam na geração de passivos ambientais importantes, que geram reflexos diretos nos gastos com a saúde pública e outros oriundos de poluição ambiental, como assoreamento e enchentes.

A boa notícia é que o Brasil parece estar seguindo no caminho certo. Pelo menos é o que mostram os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que apontam que a quantidade de pneus inservíveis destinados corretamente no país tem crescido a cada ano. De acordo com o Instituto, o aumento na destinação correta deve-se, principalmente, ao crescimento da fiscalização e aplicação de multa aos descumpridores das metas estabelecidas pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 416/09, que obriga fabricantes e importadores de pneus novos a darem destinação adequada aos pneus inservíveis no território nacional.

As empresas fabricantes e as importadoras de pneus novos devem informar, em relatório específico no Cadastro Técnico Federal do Ibama, os dados referentes às suas atividades e ao cumprimento de sua meta de destinação.

Reaproveitamento dos pneus

Uma das formas mais comuns de reaproveitamento dos pneus inservíveis é como combustível alternativo para as indústrias de cimento. Outras possibilidades de uso dos pneus incluem a fabricação de solados de sapatos, borrachas de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais, além de tapetes para automóveis. Mais recentemente, surgiram estudos para a utilização dos pneus inservíveis como componentes para a fabricação de manta asfáltica e asfalto-borracha, processo que tem sido acompanhado e aprovado pela indústria de pneumáticos.

As principais tecnologias de destinações ambientalmente adequadas de pneus inservíveis praticadas hoje no país são, de acordo com o Ibama, o coprocessamento, que consiste na utilização dos pneus inservíveis em fornos de clínquer como substituto parcial de combustíveis e como fonte de elementos metálicos; a laminação, processo de fabricação de artefatos de borracha; a granulação, processo industrial de fabricação de borracha moída, em diferente granulometria, com separação e aproveitamento do aço; e a industrialização do xisto, processo industrial de coprocessamento do pneumático inservível juntamente com o xisto betuminoso, como substituto parcial de combustíveis.

No momento da substituição dos pneus em uma revenda autorizada, por exemplo, cabe à empresa dar a destinação correta aos pneus inservíveis. A falta de conscientização do consumidor com relação ao descarte inadequado dos pneus inservíveis e os impactos ambientais negativos provocados ainda é apontada como um dificultador no processo de destinação.

Tudo indica que o Brasil está, de fato, no caminho certo, mas, indiscutivelmente, ainda há muito o que se fazer.


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