Vamos falar de privacidade? Todos devem ter ouvido as notícias sobre o vazamento de informações de quase 87 milhões de usuários do Facebook – sendo 443 mil perfis de brasileiros. Eu tenho dados nessa rede, nossa empresa tem, você deve ter, e provavelmente seu círculo de amigos também. O Facebook é hoje, sem dúvida, o maior organismo digital de relacionamento do mundo. Por meio dele, é possível encontrar amizades que se perderam em recordações. A rede social presta um enorme serviço de interconexão entre as pessoas.
Dito tudo isso, e é claro sem deixar outras funcionalidades de lado, a questão em xeque hoje é a privacidade. Por definição, este é um conceito que diz respeito a sua vida privada, particular, íntima. Mas, trazendo para o mundo digital, ele tem sido relativizado, pois, apesar de no Brasil já haver algumas leis para regular este ambiente (como o marco civil da internet), é tudo ainda muito imaturo.
Por que falo isto? Basicamente em razão da maneira pela qual nos apropriamos da rede. Quando estamos interessados em um determinado assunto, vamos ao Google e pesquisamos. Tudo que é retornado para você são páginas que o motor de busca indexou (assunto para outra matéria). Tal indexação se faz no que chamamos de internet. Mas ela é apenas a ponta de um iceberg. Existe um outro mundo, o da Deep Web.
Pois bem, quis mencionar este tema para vocês entenderem um pouco do contexto. Na internet, não é tão difícil rastrear todos os “passos” de um usuário, digamos, “comum”. Também é fácil hackear as informações que circulam de diversas maneiras para obtenção e/ou negação de serviços na internet. Pior, de uma maneira quase que inocente, concordamos com os termos de privacidade de grandes portais de interação, sem ao menos lermos a primeira linha. E, mais preocupante ainda, é pensarmos que tais informações são valiosas para o mundo do marketing digital e que pessoas mal-intencionadas vazam esses dados com frequência.
O caso do Facebook foi para análise eleitoral, fazendo o que chamamos de Big Data (produção de padrões de comportamentos em grandes bancos de dados das corporações) pela consultoria Cambridge Analytica, sediada em Londres, Inglaterra. Não estamos seguros em nenhum momento enquanto estivermos conectados. Costumo dizer que a melhor maneira de não sofrer qualquer tipo de sequestro digital é com o cabo de energia fora da tomada elétrica. Mas, infelizmente, isto não é possível.
Existem boas dicas para evitarmos algumas situações de grande risco, tais como: ter uma senha forte e trocada de tempos em tempos, não expor sua vida por completo em post, manter o status de “privado” de suas informações (para evitar o acesso de quem não tem conta), deixando-as visíveis apenas para os amigos já conectados. Mas “zerar” os riscos é praticamente impossível. Todo cuidado é pouco. Desconfiar é o mais indicado.
Ah! Não esquecendo da Deep Web, falaremos mais sobre ela em outras oportunidades. Nela as coisas são bem mais obscuras e difíceis de rastrear em comparação com a nossa internet de todos os dias. Mas ela não está ao alcance de todos, por se tratar de uma rede bem maior, densa, e muito, mas muito mais complexa tecnicamente falando. É um contraponto.
Alexandre Panizza Perdigão
Gestor de relacionamentos e parcerias da TopLink