Ocupando a sétima posição no ranking dos maiores produtores de pneus do mundo, segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o Brasil produz, todos os anos, cerca de 70 milhões de pneus. Em 2016, 70,7 milhões de unidades foram produzidas nas fábricas instaladas no país, uma pequena queda de 1,6% com relação a 2015. Apesar dos avanços da indústria nacional e do crescimento das empresas do setor, a enorme quantidade de pneus gerada todos os dias e as dificuldades de coleta e armazenamento desses produtos representam hoje um grave problema ambiental. Os pneus descartados de forma incorreta resultam na geração de passivos ambientais importantes, que geram reflexos diretos nos gastos com a saúde pública e outros oriundos de poluição ambiental, como assoreamento e enchentes. A atividade de reforma de pneus, além de segura e mais econômica para o consumidor final, é também aliada do Meio Ambiente, uma vez que posterga o descarte incorreto do pneu, possibilitando que o mesmo seja utilizado outras vezes, ao invés de descartado após o primeiro uso. E não é só isso, estima-se que mais de 500 milhões de litros de petróleo sejam poupados por ano, já que a reforma demanda apenas 30% dos recursos naturais necessários para fazer um pneu novo.
Especialistas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) sugerem que os pneus sejam, preferencialmente, reformados, antes de sua destinação final adequada. “A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece em seu art. 9º a hierarquia do gerenciamento dos resíduos sólidos, e determina que a reutilização de um resíduo é melhor do que sua reciclagem, seu tratamento ou sua disposição final em um aterro sanitário, por exemplo. Neste sentido, cabe-nos fazer com que os pneus usados sejam preferencialmente reformados antes de descartados”, divulgou o Instituto.
Uma estratégia defendida pelo Sindicato das Empresas de Revenda e Reforma de Pneus e Similares do estado de Minas Gerais (Sindipneus) é a criação de uma usina de reciclagem em cada Estado do Brasil, possibilitando que os pneus sejam recolhidos em ecopontos, encaminhados às usinas e, depois de moídos, possam alimentar as indústrias de pisos, calçados e a cimenteira. “São muitos os pneus empilhados em galpões e as prefeituras não sabem mais o que fazer com eles. A dificuldade existente é que há um custo alto de coleta e de transporte de pneus velhos e isso é o principal entrave ao desenvolvimento do mercado como um todo. Com a criação de ecopontos nas empresas, o consumidor deixaria o pneu usado no local da troca, pois sabemos que muitas vezes os consumidores levam os pneus para casa por não saberem o que fazer com eles. Por pura falta de informação”, explica o presidente da entidade, Paulo Bitarães.
E os problemas vão além. Um outro empecilho, na visão de Bitarães, é a falta de incentivo por parte do governo para os catadores de material reciclável. “Esses trabalhadores dão preferência ao recolhimento de outros materiais que vão lhes render mais dinheiro. Se o governo criar uma bolsa reciclagem para pneus, remunerando os catadores por pneus recolhidos, certamente teríamos menos pneus espalhados pelo ambiente”, completa. Todavia, a atividade de reforma de pneus continua sendo a forma mais correta de evitar que os pneus continuem sendo acumulados no meio ambiente. “A reforma é extremamente benéfica ao meio ambiente e deveria ser reconhecida no país como indústria verde, assim como já acontece em países como Estados Unidos e Japão, onde a atividade recebe incentivos para ser executada”, finaliza.
Fonte: Sindipneus