Com certeza você já se deparou com as etiquetas de eficiência do Inmetro em diversos produtos, como refrigeradores, fogões e fornos a gás, televisores, lâmpadas, ares-condicionados e veículos. Elas servem para fornecer informações básicas sobre o desempenho de determinado produto, especialmente no que diz respeito à eficiência energética. Dessa forma, torna-se possível para o consumidor tomar uma decisão de compra adequada e inteligente. A partir de abril, as etiquetas também deverão estar presentes em todos os pneus comercializados no país, sejam eles nacionais ou importados. Entenda como funcionará o Programa Brasileiro de Etiquetagem de Pneus!
Com o Programa, os pneus serão avaliados quanto à capacidade de frenagem em piso molhado, ao nível de ruído e resistência ao deslocamento, ou seja, índice do atrito da borracha com o solo. “A intenção é tornar o produto ainda mais seguro para o consumidor, com o teste de frenagem. O índice de atrito tem efeito sobre o consumo de combustível e, por consequência, sobre as emissões de gás carbônico (CO2). Quanto maior a resistência ao deslocamento, maior o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes, respectivamente”, ressaltou o então diretor da Qualidade do Instituto, Alfredo Lobo. Além dos benefícios ao meio ambiente e ao consumidor final, o presidente do Sindicato das Empresas de Revenda e Prestação de Serviços de Reforma de Pneus e Similares do Estado de Minas Gerais (Sindipneus), Paulo Bitarães, destaca a importância do projeto para estimular a competitividade na indústria. “Por meio do programa, o fornecedor buscará, cada vez mais, o aperfeiçoamento do produto, no sentido de definir diferencial competitivo e, consequentemente, conquistar a preferência do consumidor, que passa a ter maior poder de escolha.”
Segundo determinado na Portaria 544/12 do Inmetro, a etiqueta deverá ser aplicada na banda de rodagem dos pneus abrangidos pela regulamentação: pneus radiais das linhas de passageiro, caminhonete e caminhão, exceto aqueles destinados ao uso exclusivamente fora de estrada, importados ou produzidos localmente. Na etiqueta existem três parâmetros de classificação diferentes e independentes. A primeira, e de maior destaque, é a de resistência ao rolamento. Com notas de A a G, este parâmetro avalia a resistência exercida pela força oposta à rotação do pneu, em função do atrito com o chão. Quanto maior a resistência, mais energia do carro é exigida, aumentando seu consumo de combustível. Serão avaliados, ainda, a aderência em pista molhada, cuja escala de desempenho vai de A a E, e o ruído externo.
Resistência ao rolamento
Está diretamente relacionado à eficiência energética, uma vez que mede a energia absorvida quando o pneu está rodando. Com isso, quanto menor for a resistência ao rodar, menor será o consumo de combustível e, consequentemente, menor será o impacto ao meio ambiente (emissão de CO2).
Na etiqueta, os pneus serão classificados em até seis níveis, sendo A o mais eficiente e F o menos eficiente.
Aderência em pista molhada
É um indicador do desempenho que fornece informações ao consumidor a respeito da aderência do pneu em pista molhada, essencialmente relacionado à segurança. As escalas de desempenho serão de A (melhor desempenho) até E.
Essa classificação indica o nível de aderência do pneu em pista molhada, que se traduz na distância percorrida pelo veículo durante a frenagem.
Ruído externo
Este critério indica o nível do ruído produzido pelos pneus em decibéis (dB) e, consequentemente, o impacto no meio ambiente (menos poluição sonora). O limite máximo deve ser até 75 dB para pneus de veículos de passeio, 77 dB para pneus de veículos comerciais leves e 78 dB para pneus de caminhões e ônibus.
É importante destacar que a etiqueta não estará presente, por exemplo, em carros zero-quilômetro, nas concessionárias, porém, o conteúdo das etiquetas, constante no material impresso que acompanha os veículos novos, é informado pelo fabricante de pneus às montadoras, assim como grandes empresas de transporte público e de carga.
Ainda segundo Bitarães, a etiquetagem auxiliará aqueles consumidores que compram pneus em supermercados e hipermercados sem nenhum auxílio técnico. “São muitos os símbolos estampados na banda do pneu e na maioria das vezes os consumidores não conseguem interpretá-los, nem recebem ajuda para isso. Com a etiqueta do PBE, as informações serão abordadas de forma mais simples, o que certamente ajudará na escolha.”
Os testes realizados para a classificação dos pneus são auditados pelo Inmetro e devem seguir alguns parâmetros para sua validação, como variações de temperatura, pressão dos pneus, número de medições, entre outros. Para os testes, algumas empresas, como a Goodyear, utilizam veículos de passeio reais ou um reboque chamado de skid trailer (apenas para pneus de passeio). Teste de aderência no molhado é feito com pneus de passeio em skid trailer rebocado por uma Mercedes-Benz Sprinter. São realizados testes de frenagem no seco e molhado, acelerações e testes em máquinas para a certificação do pneu. Para os testes de medição de ruído, um veículo passa por dois microfones, posicionados de forma a haver uma distância de sete metros entre eles. Nessa aferição, o carro passa com o motor desligado e em velocidade programada (entre 70 km/h e 90 km/h), sendo possível captar somente o ruído de rolamento.
Depois das mudanças, os pneus terão seu desempenho comparado e classificado em cada um dos itens avaliados e receberão a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence), com graduações de A a G, sendo A o nível que representa o melhor desempenho em cada critério. “A etiqueta oferece ao consumidor mais um atributo, além do preço e da estética, para a sua decisão de compra. O consumidor é o verdadeiro indutor da melhoria dos produtos fabricados”, ressalta Lobo.
O Brasil será o quarto mercado mundial a ter um programa de etiquetagem de pneus. O Japão, em 2010, foi o primeiro país a adotar um programa com essas características, embora de forma facultativa, sendo seguido, no final de 2012, pela União Europeia e pela Coreia do Sul.